SETEMBRO 2020

INVESTIMENTOS

Em setembro, bolsa cai 4,44% e tem pior

mês desde março. No consolidado do ano,

perdas somam 18,20%.

Confira, abaixo, os principais eventos e índices que marcaram o mercado econômico no último mês e como eles afetaram as carteiras:

Índice Ibovespa desde a mínima em março/2020

Mínima de 63.569 pontos de no auge da Covid em 23/03/2020.

Volta aos 100 mil pontos em 10/07/2020

Indicador

CDI
ANBIMA_IMAB
IBOV
BTG_IFMMA
DoLAR
IFIX
ANBIMA_IRFM1+
ANBIMA_IDAGERAL
IBGE_IPC

2020

2,28%
-0,72%
-18,20%
-0,01%
39,94%
-12,61%
5,40%
2,01%
0,88%

set/20

0,16%
-1,51%
-4,80%
-1,57%
3,10%
0,43%
-0,91%
0,21%
0,64% 

Bolsa encerra o mês com desempenho negativo

Em setembro, o índice Ibovespa caiu 4,80%, dada preocupação com deterioração fiscal. A queda é a maior desde março, quando pandemia por novo coronavírus foi declarada. No ano, acumula baixa de 18,20%.

Banco Central mantém taxa de juros Selic em 2% a.a após nove cortes consecutivos

Como esperado pelo mercado, Copom mantém Selic ao patamar de 2% a.a, paralisando o processo de baixa da taxa de juros iniciado em julho de 2019.

Estrangeiros retiraram mais de R$ 88 bilhões da bolsa no ano de 2020

Investidores estrangeiros removeram mais de R$ 88 bilhões em ações da Bolsa de Valores Brasileira diante do alto risco em relação ao contexto global.

Inflação tem maior alta para setembro desde 2003

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,64% em setembro e é a maior alta para o mês em 17 anos. 

CONSOLIDADO DOS INVESTIMENTOS DA ENERGISAPREV

Os planos administrados pela EnergisaPrev possuem segregação real de ativos, o que quer dizer que cada plano possui sua política de investimentos e carteira que buscam garantir a solvência e liquidez ao longo do tempo, orientadas pelo passivo de cada plano (como o fluxo do passivo, por exemplo). Assim, os recursos dos planos de benefícios são contabilizados e gerenciados separadamente, isto é, de forma independente e não solidária, inclusive nos resultados auferidos. 

Total dos recursos garantidores

R$ 1,36 bilhões

86,43%
4,35%
4,41%
2,81%
2,00%

Renda Fixa

Renda Variável

Estruturados

Empréstimos

Imobiliário

Evolução dos Investimentos

A EnergisaPrev administra aproximadamente R$ 1,36 bilhões em ativos para mais de 10.000 participantes através de 15 planos de benefícios previdenciários, sendo sete na modalidade de benefício definido, quatro na modalidade de contribuição variável e quatro na contribuição definida. Está entre os 100 maiores fundos de pensão do Brasil, de acordo com o ranking da Abrapp pagando por ano, aproximadamente R$ 100 milhões em aposentadorias e pensões.

(em R$ bilhão)

O que fizemos nas carteiras

Como informado em relatórios anteriores, foi iniciada a Operacionalização dos Fundos (Fofs), exclusivos para as posições em renda variável e multimercados. No mês de setembro, o setor de investimentos deu continuidade às operacionalizações e implementação das estratégias. A equipe tem seguido bastante cautelosa em suas análises, principalmente devido a (1) desequilíbrio fiscal e agenda morosa para reformas, (2) preocupação com inflação de curto prazo, tanto de alimentos quanto de combustíveis e (3) correção técnica no mercado de títulos públicos. Em setembro observou-se que os títulos de juros nominal e juros real sofreram devido às incertezas no âmbito fiscal e político. Adicionalmente, o mercado de LFTs teve um comportamento atípico, com forte pressão vendedora e ajuste de marcação da Anbima, afetando inclusive os Fundos DI. Em relação a aplicações no exterior, a equipe de investimentos acompanha o alta recente do câmbio para realizar tal estratégia de investimento na oportunidade correta.

Detalhamento por Plano

 

OBSERVAÇÕES E ANÁLISE DE MERCADO

 

Nos mercados globais, o mês de setembro foi marcado por performances ruins dado o aumento do número de casos de covid-19 na Europa e as eleições americanas. No mercado brasileiro, o resultado também foi negativo devido às discussões em torno do possível descumprimento do teto dos gastos. Bastou o governo pensar em expandir o Bolsa Família – driblando o teto e postergando precatórios – para que o dólar subisse, a bolsa afundasse e as taxas da dívida pública (títulos do governo) disparassem.

Bolsa encerra o mês com desempenho negativo

Em setembro, o índice Ibovespa caiu 4,80%. Analistas atribuem o pífio desempenho ao noticiário fiscal e político brasileiro. Em âmbito fiscal, especialistas seguem cautelosos com o possível descumprimento do teto dos gastos a partir da incorporação do auxílio emergencial como programa de renda suplementar permanente. O cenário foi agravado pelo contexto político, dadas as incertezas quanto à austeridade fiscal, tão exigida pelo Executivo. Incertezas essas que aumentaram durante o mês devido ao desalinhamento entre Ministro da Economia e Governo.


Após reações negativas do mercado, o Governo Federal reafirmou seu compromisso com o equilíbrio fiscal e com a agenda de reformas. Ainda restam dúvidas, no entanto, quanto à utilização do capital político do próprio Presidente da República nesse processo.


A evolução da pandemia do novo coronavírus, resultado dos testes das vacinas, a recuperação da atividade global, a continuação dos estímulos fiscais e monetários, a tensão entre EUA e China, as negociações entre Reino Unido e União Europeia em relação ao Brexit e as eleições americanas em novembro seguem como os principais determinantes dos preços.

Estrangeiros retiraram mais de R$ 88 bilhões da bolsa no ano de 2020

Em dezembro de 2019, a retirada de recursos pelos investidores estrangeiros somou  R$ 44 bilhões. Este ano, somente entre janeiro a setembro de 2020, os estrangeiros já retiraram R$ 88 bilhões da B3.

Tal movimento de retirada dos recursos preocupa o mercado brasileiro, pois os investidores estrangeiros ainda possuem parcela relevante (48%) na bolsa de valores brasileira. Ademais, a saída de recursos é alarmante pois também impacta a desvalorização do real. O dólar, por exemplo, acumula alta de 39,94% em 2020.


Dólar alto, taxa de juros baixa e inflação crescente é uma combinação bastante preocupante para o Brasil. Vivenciamos um cenário em que as tomadas de decisão político-econômicas nacionais vêm à contra mão dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos e em toda a Europa, fala-se em retomada da Economia por meio de Políticas Fiscais Expansionistas (quantitative easing, por exemplo) e de Políticas Fiscais (redução de impostos e aumento de gastos do Governo).


No Brasil, a autorização do Banco Central para compra de ativos se encerra no final de 2020 e os instrumentos de Políticas Fiscais não seguem como opção para a equipe econômica e analistas de mercado, devido às contas públicas do país se encontrarem deterioradas.


O nível de endividamento do país, que já alcançava patamares alarmantes antes da crise, sofreu significativa elevação devido à queda na arrecadação decorrente das restrições impostas e da adoção de gastos temporários para amenizar os danos causados pela pandemia. 


A combinação entre deterioração das contas públicas e dólar alto vem sendo observada de perto por analistas de mercado e pelo Banco Central, já que ambos os fatores podem exercer pressão sobre a inflação e afetar a trajetória dos juros.
 

Banco Central mantém a taxa de juros Selic a 2% a.a.

Como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa de juros Selic ao patamar de 2% a.a., paralisando o processo de baixa da taxa de juros. Em comunicado divulgado após decisão, o Copom informou que “o comitê avalia que a inflação deve se elevar no curto prazo. Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade”.


A Copom ainda mencionou em sua decisão que não há intenção de reduzir ainda mais a taxa Selic pois os membros entendem “que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”.
 

Além disso, nota-se que o Copom se preocupa com queda de diferencial da taxa juros entre Brasil e Estados Unidos, pois um corte maior da Selic em relação à taxa de juros americana – que está no intervalo entre 0,0% e 0,25% –, provoca pressão para desvalorização da moeda brasileira, já que há diminuição do prêmio para que o investidor estrangeiro coloque recursos no país.


A saída de recursos eleva a demanda por moeda estrangeira, impactando assim o câmbio. Com uma valorização ainda maior do dólar, o Banco Central teria que agir para que tal aumento não impulsione a inflação.

Inflação tem maior alta para setembro desde 2003

A inflação do mês de setembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,64% puxada pela alta nos preços dos alimentos, principalmente pelo aumento nos preços do óleo de soja (27,54%), arroz (17,98%), tomate (11,72%) e leite (6,01%). 


A alta nos preços de alimentos como arroz e óleo está relacionada à maior demanda interna proporcionada pelo auxílio emergencial, que tem possibilitado a famílias mais pobres que mantenham o consumo em meio à crise. Relaciona-se, também, ao dólar alto, que estimula as exportações e reduz a oferta de produtos no mercado interno. 


No acumulado do ano, a inflação concentra alta de 1,34%. Apesar da disparada nos alimentos nos últimos meses, a expectativa de inflação para este ano segue bem abaixo do centro da meta, de 4%, e do piso, de 2,5%. De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central, analistas das instituições financeiras projetam uma inflação de 2,12% em 2020.


Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central aumenta ou reduz a taxa Selic. Nos últimos anos, a instituição utilizou estratégias de redução da taxa Selic para estimular a Economia e não há preocupação pois, apesar da subida de preços, a economia brasileira segue com a capacidade ociosa elevada. De acordo com o relatório Focus, a taxa de juros projetada para o final de 2020 segue em 2%, subindo para 2,5% no final de 2021.


O cenário político e econômico geral do Brasil, no entanto, é preocupante. Isso porque é preciso crescimento (Produto Interno Bruto aumentar) para que se tenha geração de empregos. Antes mesmo da crise provocada pelo vírus, discutia-se a necessidade de ascensão para que o Brasil volte a apresentar superávit primário. Isso só é possível, por sua vez, caso Políticas Monetárias e Fiscais expansionistas sejam aplicadas – mas não há espaço para tal. Caso o Banco Central tenha que aumentar a taxa de juros Selic para conter a inflação e/ou câmbio, o crescimento da economia brasileira seria ainda mais prejudicado, assim como a geração de empregos e investimentos do setor privado. A alternativa que se discute, em vista de todo esse cenário, é a manutenção do teto dos gastos, reforma administrativa e reforma tributária.


Em meio ao complexo panorama enfrentado mundialmente, dado que os próximos meses ainda tendem à volatilidade – ao menos até que se encontre uma solução no campo médico-científico, que o cenário fiscal brasileiro e os impactos das eleições americanas fique mais claro –, os participantes da EnergisaPrev podem ter a certeza de que todas as decisões em investimentos estão focadas em garantir sua rentabilidade no longo prazo, visando  sempre a diversificação do portfólio e buscando a melhor relação entre risco e retorno.


Para isso, a Fundação os convida a tirarem todas as suas dúvidas sobre rentabilidade, características de seu plano e estratégias implementadas por meio de seus canais de relacionamento. Nesse período de volatilidade elevada, é importante o foco no longo prazo e, por isso, quanto mais informados e mais próximos estivermos, maior será o sucesso e eficiência nessa longa relação. Conte sempre com a EnergisaPrev!

 
 

Retirada de estrangeiros na bolsa - em R$ bilhões

ESTRATÉGIA DE RENDA VARIÁVEL

Como pode ser observado no quadro ao lado, as estratégias foram negativas em setembro. Bastou o governo pensar em expandir o Bolsa Família – driblando o teto dos gastos e postergando precatórios – para que o dólar subisse, a bolsa afundasse e as taxas da dívida pública (títulos do governo) disparassem. Os Fundos Leblon Ações, Moat Capital e Navi Institucional, obtiveram retornos abaixo do Ibovespa, refletindo o panorama do mercado. Já os Fundos Constância Fundamento, Oceana Selection, Vinci Mosaico e Vinci Selection apesar de ter apresentado retorno negativos, obtiveram retornos acima do Ibovespa. Ou seja, caíram menos que o Índice. No geral, as principais contribuições positivas ficaram concentradas no setor de Mineração, Siderurgia e Locação de Veículos, enquanto as negativas ficaram por conta de posições no setor de Varejo Online e no Setor Elétrico. A tabela ao lado demonstra os retornos dos fundos de renda variável da carteira da EnergisaPrev:

Retornos dos fundos de renda variável

[1] O Ibovespa é o principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3 e reúne as empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro. 

 

ESTRATÉGIA DE MULTIMERCADOS

Essa classe de ativo apresentou desempenho negativo no mês de setembro em todas estratégias. Como mencionado, o mês de setembro foi negativo para a maioria dos mercados de bolsa mundiais, dadas as incertezas em relação ao avanço dos casos de Covid-19 ao redor do mundo. O quadro fiscal também impactou as estratégias de juros e bolsa. Nesse cenário, os investidores buscam mais proteção, impactando negativamente ativos emergentes como os juros locais. A tabela ao lado demonstra os retornos dos fundos multimercado da carteira da EnergisaPrev:

Retornos dos fundos multimercado

[2] IFMM-A é uma referência para a indústria de hedge funds. No Brasil, esses produtos se assemelham aos fundos multimercado de gestão ativa, com aplicações em diversos segmentos do mercado e várias estratégias de investimento.

 

ESTRATÉGIA DE RENDA FIXA

O quadro fiscal segue impactando os títulos de renda fixa. A principal preocupação dos investidores é em relação à deterioração das contas públicas e o descumprimento do teto dos gastos. Tal combinação colaborou com a alta da curva de juros. O mercado de LFTs teve um comportamento atípico, com forte pressão vendedora e ajuste de marcação da Anbima, o que impactou os Fundos de Renda Fixa. No mercado de crédito, observa-se a continuação do movimento de fechamento dos spreads para títulos indexados a CDI+ e debêntures IPCA. Os fundos de crédito privado da carteira continuaram o movimento de recuperação. Os principais ganhos se concentraram nos Fundos JGP e Votorantim Institucional, que obtiveram retorno de 0,89% e 0,14%, respectivamente.

Retornos dos fundos de crédito privado

[3] Certificado de Depósito Interbancário trata-se de uma taxa que lastreia as operações interbancárias (entre bancos).

[4] O Índice de Debêntures ANBIMA, conhecido como IDA, espelha o comportamento de uma carteira de dívida privada, mais especificamente das debêntures. Ele é um termômetro do desempenho desses produtos para os investidores.

 
 

ESTRATÉGIA DE TÍTULOS

PÚBLICOS FEDERAIS

A aplicação em títulos públicos no Tesouro Nacional busca mais segurança e é o principal ativo presente nas carteiras das Entidades Fechadas de Previdência Complementar. A curva de juros se mostrou, durante o mês, em alta e os juros longos renovaram as máximas desde maio, diante os temores com o quadro fiscal. Os títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs com vencimento a partir de 2023, tiveram retorno negativo. Vale lembrar que o investidor só terá as perdas ou os ganhos apontados caso efetivamente venda os papéis antecipadamente. Caso os carregue até o vencimento, o retorno respeitará as taxas e as condições contratadas no momento de aquisição dos títulos. A tabela ao lado demonstra os retornos das NTN-B (Notas do Tesouro Nacional Série B), ativo indexado à inflação. 

Retornos das NTN-B